Fazendo as malas…

Nunca fui uma pessoa de carregar só o “essencial”. Sempre fico pensando no “e se?”. E se acontecer isso? E se acontecer aquilo? Normalmente, essas situações nunca acontecem, mas melhor prevenir do que remediar, não é mesmo? Por isso, minhas malas sempre foram imensas…

Mas dessa vez eu não queria levar minha casa inteira – e nem podia… Então, vi 305 mil tutoriais de como arrumar a mala. Aprendi muita coisa, pra falar a verdade. Uma delas foi uma super dica de organizar uma mala para 15 dias. Se a gente repete roupa no nosso dia-a-dia, por que não repetir roupa quando viajamos? (Acreditem, isso não é óbvio para todas as pessoas) Também achei super pertinente a dica do saco à vácuo. Foi uma verdadeira revolução na minha vida, principalmente para fazer casacos de inverno imensos se tornarem bem pequenos (e tem sacos que nem precisam de aspirador de pó!!!)

Até aí, tudo bem. Você tem toda uma ideia linda planejada na sua cabeça. Mas você precisa colocar tudo em prática. Aí é que entra o desespero. Porque, sim, Murphy faz hora extra comigo, e tudo acontece. Mas, graças a Deus, amigos estão aí para te ajudar nos momentos mais difíceis da sua vida, inclusive, lavando a sua roupa porque, é claro, a água tinha que acabar na sua casa na véspera da sua viagem.

Passada a leve crise histérica inicial, você, de fato, começa a colocar as roupas na mala. Tudo bem que você deixou em cima da cama só o que precisaria para os “15 dias”. A questão é que você olha para aquele mundo de roupas e depois para a sua tímida mala (que de tímida não tem nada, pois ela é rosa pink e imensa) e a realidade te estapeia na cara: não vai caber! Você aperta daqui, aperta dali…chama sua amiga que, às 3h da manhã, está literalmente deitada na sua mala para tentar fechá-la. E quando, finalmente, a fecha…vai pesá-la e…tcharam…você excedeu – e muito – o limite de peso permitido. Você quer chorar, espernear, dá a louca e levar só sua mala de mão.  E, às 4h da manhã, vencida pelo cansaço, você começa a tirar todos os “e se?”s da mala. Tira aquele casaco que você não usa, e que sabe que não vai usar nunca, mas, vai que? Tira aquele livro que, sabe Deus o motivo, você colocou na mala, ja que você tem um Kindle. Você tira o excesso e começa a perceber que, por qual motivo, causa, razão ou circunstância, você está levando umas coisas que, de boa, você não vai usar?

Na verdade, você começa a perceber que o problema é que a gente quer estar preparado para tudo. Quer ter todas as soluções para todo o tipo de coisa que possa acontecer.  Só que, às vezes, não é possível carregar tudo. E a gente começa a desapegar. E percebe que não dá pra ter medo do que vai acontecer. A gente precisa aprender a se adaptar, a se reinventar. E, para isso, é preciso haver espaço na mala. Não sei em que momento isso se tornou um post de auto-ajuda (risos), mas a verdade é essa. A gente precisa aprender a não ter medo dos “e se?”s da vida, do inesperado.ursinho

E, depois da mala fechada e daquela sensação de dever comprido, não se espante com as lágrimas que virão. Sim, elas virão, a cada amigo que você abraçar, a cada mensagem de boa viagem que você receber, ao sair de casa, ao se despedir da família, ao se perguntar se não está fazendo besteira, ao entrar no avião e descobrir que seu assento foi alterado e você está numa cadeira beeem mais confortável do que aquela da classe econômica (Murphy, de vez em quando, faz um break pra fazer um pipi). Seus amigos vão olhar pra você e vão mandar você parar de ser chorona (o que é meio impossível), mas você sabe que o choro é de felicidade. Mesmo com uma mala mais vazia, que ainda assim parece que está carregando um corpo dentro dela, você sabe que está pronta (talvez) para o que vier pela frente. Mesmo que para responder que no Brasil se fala português e não espanhol (fomos colonizados por Portugal, galera!), pra falar sobre a adaptação à uma cidade tão grande (gente, vocês já viram o tamanho do meu país?). Enfim, você percebe que fez bem em deixar algumas coisas para trás, em repensar seu catálogo de soluções imediatas, em não ter medo de se arriscar. Até porque, onde você colocaria as coisas novas que ainda tem pra viver nessa jornada?

O começo – Como lidar com a ansiedade???

Wanderlust

Nossa!!! Deve fazer um século, pelo menos, que não escrevo nada. Mas…vamos lá! A situação exige. Até porque…é ansiedade demais para uma pessoa só.

Primeiramente, vamos à algumas explicações: quero tentar montar aqui um verdadeiro diário. Calma! Não vou chorar por corações partidos, nem elencar o menu do dia (quem sabe?). Quero poder criar, aqui, um registro das minhas angústias, expectativas, ansiedades, ou seja, tudo o que envolva essa nova empreitada em que estou me metendo.

Se alguém ler, ótimo! Espero que você goste e embarque nas minhas viagens (reais e na maionese). Aceito sugestões, críticas, dicas!! Se ninguém ler, Ok também. Pelo menos estou economizando na terapia…

Bem, se você não me conhece, ou conhece e não convive comigo, deve estar se perguntando: “O que essa louca quer?” Então, eu quero extravasar um pouco essa ansiedade que me consome! Às vezes, só a escrita ajuda a transbordar o que a mente e o coração já não comportam.

Enfim…a questão é que em 21 dias (!!!) eu entrarei em um avião para ficar uma temporada fora do Brasil! (Ahhh…gritos de…alegria? histeria? nunca saberei). Sempre gostei de viajar e já perdi as contas de quantas listas eu já fiz com todos os lugares que gostaria de visitar. Mas agora é real!!

Ok, o Brasil tem seus defeitos. Morei minha vida inteiro em um dos bairros mais quentes do Rio de Janeiro (alô, Bangu!) e sempre desejei ir para um lugar diferente. Mas a ficha ainda não caiu! Já pararam para pensar que meu familiar mais próximo estará, no mínimo, a 12 horas de distância de vôo de mim? Que, apesar de eu ser fluente em Inglês, existem coisas que a gente só consegue explicar na nossa língua? (Não, eu não sei dar barraco em Inglês – aprendi minha vida toda a ser bem educada rsrs)

É claro que vou aprender muito, viver coisas diferentes, estudar, conhecer pessoas e lugares. Mas dá um medo. Aquele medo do incerto, de ter feito a escolha errada ao largar o emprego, da surpresa, de ter criado muita expectativa, medo de que dê algo errado (ou que dê tudo certo e que eu não queira mais voltar – a louca).

São tantas coisas para pensar, organizar, readaptar…que não há unha que aguente. Minha jornada pela terra da rainha, do motorista no lado direito, do chá das 5, das ruas que narram a história do mundo já começou e tentarei compartilhar um pouco dessas aventuras por aqui.

Espero que alguns posts possam ajudar a quem, como eu, se desesperou em ver que tem 1001 detalhes antes de dar aquele “See you soon, Brazil”…mas que tem aquela fé de que vai valer muito a pena!

Até a próxima.

–Mari